Técnica fotográfica

Tripés e Cabeças

Durante os workshops de fotografia de Natureza é comum os participantes pedirem opiniões e indicações sobre equipamentos.  Uma das maiores dúvidas demonstradas é sobre a escolha de um tripé. Acredito ser desnecessário dizer que tripé não é um equipamento alternativo. Todo fotógrafo que se preze, seja profissional ou amador, sempre precisará ter um por perto. Assim sendo,  o investimento em uma boa peça é estratégico e começa pela escolha de um produto de qualidade, que irá proporcionar tranquilidade por bastante tempo.

Classicamente, o termo  tripé é utilizado para definir um conjunto formado por um suporte de três pés que sustenta uma base, também conhecida como cabeça,  onde a câmera é fixada.

O uso de um tripé e uma cabeça adequada é fundamental para garantir a qualidade da fotografia e também a segurança do equipamento em determinadas situações.  A estabilidade conferida pelo equipamento garante à imagem características essenciais, como: nitidez,  composição mais trabalhada e até conforto.

Na hora de escolher um tripé, o fotógrafo deve levar em conta os seus interesses e objetivos.  Tendo isso claro, fica mais fácil definir o equipamento que atenda às necessidades. No mercado, podemos  encontrar tripés adequados aos vários segmentos da fotografia, como macro, paisagens, retratos, estúdio. Alguns desses segmentos exigem tipos de tripé e cabeças bastante específicos.

Nesse artigo, abordarei as características importantes para um tripé a ser utilizado em viagens e fotografia externa, particularmente na fotografia de natureza.

Existem outros segmentos de fotografia que exigem tripés, colunas de estúdio, cabecas específicas, etc, Porém abordarei em outro momento.

Acredito que seja desnecessário dizer que tripé não é um equipamento provisório. Todo fotógrafo que se preze, seja profissional ou amador sempre precisará ter um por perto, logo o investimento em uma boa peça é estratégico por algumas razões, um bom e corretamente dimensionado tripé não irá te deixar na mão mesmo nas mais delicadas situações como astrofotografia em noite de vento.

A correta escolha de um produto de qualidade irá te dar a tranquilidade de não precisar comprar outro por anos a fio ( Tenho um há 26 anos que comprei usado e não mostra a mínima necessidade de ser trocado ), por isso recomendo que mesmo que precise parcelar o investimento na aquisição do tripé, recomendo que opte por um modelo de qualidade e adequado a sua utilização.

Bom, vamos deixar de blablabla e focar no que devemos observar ao escolher um bom tripé para a fotografia de natureza, seus prós e contras.

 

1- Peso. Ninguém quer carregar mais do que o necessário em uma trilha, até porque as mochilas de equipamentos vão ganhando peso com o tempo, é uma objetiva nova aqui, um flash ali, filtros, acessórios, etc. Exatamente por isso que a escolha deve levar em consideração o peso do tripé. Percebam que coloquei este ítem primeiro por mera casualidade e não nível de importância. Normalmente o peso dos tripés se relacionam a sua capacidade de sustentação e tamanho, logo um equipamento fotográfico mais pesado demandará uma maior capacidade neste aspecto por parte do seu tripé e da mesma forma maior estrutura e peso deste e sua cabeça. Investir num tripé levinho e uma cabeça sub-dimensionada pode até dar a falsa sensação de que conseguirá melhorar as suas fotos, porém tenha certeza que na primeira longa exposição, seus sonhos serão desfeitos. Note que falo até aqui de forma genérica, todo  alívio de peso num tripé é bem vindo e a tecnologia está aí exatamente para nos proporcionar essas coisas. Um exemplo é o uso de ligas de magnésio em conjunto com  o tradicional alumínio que além de nos dar redução em torno de 30% no peso. agrega  ainda maior estabilidade, resistência e capacidade anti-vibração. Outra opção mais leve  que indico sem medo é a fibra de carbono.

2 – Versatilidade. Como eu poderia dizer?  Um tripé sem movimentos amplos de suas pernas que aproximem suas cabeça ao chão é o mesmo que um jipe com pneus lisos e sem tração. Explico: Em campo, nem sempre o piso é regular, lisinho e plano. Muitas vezes precisamos montar o tripé em situações que somos obrigados a colocar uma das pernas na posição quase horizontal enquanto outra pode estar na vertical absoluta. Tudo depende do piso que pode ser composto por pedras grandes e muito irregulares, logo, aquele modelo que tem uma haste estabilizadora entre a coluna central e as pernas não são adequados à fotografia de natureza uma vez que tem essa limitação.

3 – Coluna central. Acredito que na quase totalidade dos modelos presentes no mercado de hoje, as colunas centrais se deslocam ao menos para cima e para baixo, facilitando o ajuste mais preciso da composição. Neste aspecto, se queremos um tripé que nos atenda em praticamente todas as situações, devemos olhar para os modelos com diferenciais também nessa parte, como por exemplo os modelos que tem o recurso de colocar a coluna na posição horizontal ou ainda em diferentes ângulos graças a uma articulação nesta junção. Este simples recurso já permite que sua câmera possa ser colocada junto ao solo, o que permitirá fazer fotos de um ponto de vista muitas vezes inesperados pelo seu público. Outros modelos contam ainda com esta coluna muito curta como ferramenta para se conseguir aproximar a camera do solo ou ainda parte desta haste rosqueável.

4 – Pés. Parece irrelevante mas as extremidades dos tripés ajudam muito na estabilização. Bons modelos contam com terminações rosqueáveis que projetam pontas metálicas que fincam no solo ou se escondem nas patinhas de borracha que melhor se aderem em pedras por exemplo. Este sistema embora prático é um ponto controverso por conta das extremidades serem exatamente as parte a estarem em contato direto com o ambiente em si, que no caso pode ser areia, barro ou outro meio abrasivo qualquer que rapidamente podem degradar um sistema de rosca. Para isso alguns fabricantes como a Benro contam com pinos extras de aço inoxidável que são préviamente rosqueados se tornando peças fixas alternativas às peças de borracha que são o padrão, dessa forma evitando o acúmulo de areia ou terra entre a borracha e o pino.

5 – Travas. Existem basicamente dois modelos de travas para as seções das pernas dos tripés. São elas as “twist locks (TL)” e “flip locks (FL)”. As TL são como porcas e parafusos, desrosqueia-se para liberar e fazer os ajustes de altura e rosqueia-se para fixar tal ajuste, as FL contam com uma pequena alavanca que libera ou trava a seção. Ambos os modelos tem suas vantagens e desvantagens, assim como seus  fiéis apreciadores. Ressalto que embora o modelo TL normalmente não tenha elementos sujeitos a corrosão é mais vulnerável à abrasão por areia que se infiltra na rosca durante a imersão principalmente em praias. Vale lembrar que existem alguns TL  resistentes a sujeira (dustproof) que resistem inclusive à umidade, dessa forma mantendo a rosca limpa  na maioria das situações. Este sistema consegue isso com o uso de retentores de borracha e ser necessário apenas uma fração de volta para se liberar ou travar a perna do tripé na posição desejada. O modelo FL, menos suscetível a esse tipo de desgaste conta com parafusos e peças móveis que podem ser passíveis de corrosão quando nas mesmas condições adversas.

 

Cabeças

Na hora de escolher uma cabeça para o tripé, devemos levar em consideração fatores como carga suportada, peso da cabeça em si, sua altura, amplitude de movimentos e sistema de engate rápido da câmera, como se segue. Todos os princípios aqui se baseiam nos mesmos preceitos usados nas considerações dos tripés mas de qualquer forma, vamos a eles:

 

1 – Carga suportada. Antes de tudo aqui precisamos ser sinceros com relação ao nosso equipamento atual e futuro. Entenda que a mecânica de um tripé é mais simples que a de uma cabeça, suas travas e mecanismos de movimentação são projetados para uma determinada faixa de peso, quando sub-utilizamos uma cabeça, garantimos sua maior longevidade, logo usando uma cabeça projetada para uma carga mais leve do que de fato estamos carregando é de se esperar que esta dê problemas mais cedo do que se imagina, independente de marca, qualidade ou preço.

2 – Peso. Novas tecnologias sempre buscam resolver problemas do passado e a carga que carregamos em nossas mochilas é um desses desafios constantemente enfrentados pelos designers e engenheiros das fábricas. Novos materiais, novos mecanismos, menores e mais leves estão desde sempre sendo lançados no mercado. Esse tipo de busca relacionada a peso e eficiência muitas vezes segmenta os equipamentos retirando ou limitando um movimento para gerar um equipamentos menor e mais leve, assim gerando maior facilidade de transporte. Vale notar que muitas vezes uma limitação desse tipo pode facilmente ser superada apenas girando a câmera  sobre suas base e usando o eixo com maior angulação.

3 – Altura. Normalmente se relaciona apenas com versatilidade de transporte mas claro que mais material também deixa a cabeça mais pesada.

4 – Amplitude de movimentos. Provavelmente o fator mais importante na escolha de uma cabeca de três eixos seja este. As cabeças de rótula ou ball heads pela sua natureza tem limitação diferenciada. logo entender o uso que pretendemos desse equipamento se faz fundamental na escolha deste.

5 – Engate rápido. Tornou-se uma convenção o uso do engate rápido nas cabeças, facilita muito a colocação e retirada dos equipamentos dos seus sustentáculos. É importante notar que este sistema faz muito mais sentido quando temos a facilidade de encontrar bases adicionais para câmeras  e assim ter por exemplo dois corpos de câmeras e as tele-objetivas que usam colar de fixação devidamente adequados para rápida e simples fixação  sem maiores percalços. Neste quesito não deve haver estrelismo, o melhor sistema é aquele simples e eficiente porém facilmente encontrado no mercado. Ter algo que irá depender de esperar uma viagem ao exterior, a menos que seja algo muito específico, pode não valer a pena. Confira se a sua marca escolhida fornece esse tipo de suporte local.

 

Uma vez definidos os pontos diferenciais que devem ser observados, vamos às características  de cada modelo.

 

1 – Três eixos. São cabecas muito interessantes para fazer fotos de paisagens muito bem planejadas controlando cada eixo com precisão, uma vez que cada um destes é controlado por uma trava específica. São eles:

Eixo panorâmico. É o responsável pelo giro horizontal e pelo menos até onde tive contato com fotografia, nunca vi uma cabeça que limitasse esse ângulo.

Eixo horizontal. Vamos convencionar aqui que este eixo seja o de nivelamento da câmera em relação ao horizonte. Este eixo também é o que permite colocarmos a câmera na posição vertical para retratos por exemplo. Invariavelmente este eixo não é encontrado em cabeças de vídeo. Normalmente essa angulação é de 90 graus num sentido e 20 ou 30 no outro extremo e essa fexilibidade maior é importante na versatilidade quando não nivelamos precisamente o tripé, optando pela facilidade de mover apenas um eixo e não fazer equilíbrio entre suas pernas.

Eixo vertical. É aquele que aponta a câmera para cima ou para baixo. Sofre limitações mecânicas devido ao projeto de construção da cabeça, tamanho da haste de travamento que via de regra é maior quando projetada para uso com equipamento mais pesado. Este eixo pode ser encontrando com grande faixa de limitação que varia entre 90 a 45 graus em um lado e 20 a 45 do outro mas que não causa grande preocupação uma vez que se precisar de maior amplitude num sentido, pode-se girar a camera e usar o outro eixo para esse fim no caso excepcional.

É o tipo meu tipo de cabeça preferida para trabalhos de estúdio.

 

 

2 – Rótula ou Ballhead. Tradicionalmente este tipo de cabeça é comandada por apenas uma trava que libera a cabeça e temos livre movimentação em todos os sentidos. Por um lado é muito prático para uso geral, por outro se pretendemos fazer uma rotação em sentido horizontal panorâmico para um simples ajuste de composição, podemos facilmente perder nosso nivelamento com o horizonte. Modelos mais recentes e sofisticados contam com o eixo panorâmico isolado da rótula em si, o que confere maior versatilidade e precisão a este tipo de cabeça, assim como aquelas com controle de arrasto, muito útil para manter a câmera mais firme na posição para ajustes finos, assim como não sobrecarregar a trava completa da rótula.

Gosto muito desse tipo de cabeças para uso em natureza graças a sua versatilidade, pricipalmente se a coluna central do tripé não se encontra na posição vertical.

 

3 – Gimbal. Tipo muito específico de cabeça,porém essencial para uso com lentes pesadas de distância focal longa. Este modelo buscar equilibrar o centro de gravidade entre corpo e lente  dando maior conforto e leveza no manuseio de tais tipos de lentes. Pode parecer ficção mas após o correto ajuste entre a cabeça, câmera e lente, o conjunto poderá ser movido  usando somente um dedo e se o retirar, tudo volta automaticamente a posição equilibrada de repouso. Sempre é bom lembrar que se trata de uma cabeça que por si só é mais pesada que a média e suportará equipamento também pesado, logo é desnecessário dizer que o tripé em questão também deve ser compatível.

 

4 – Panorâmica. Tem por função eliminar o efeito de paralaxe entre os diversos planos quando se movimenta a câmera para as diversas fotos necessárias para uma panorâmica. esta cabeça alinha o ponto nodal da objetiva com o eixo de giro, podendo manter a câmera nas posições vertical ou horizontal de acordo com a intenção. Quando posicionamos a câmera verticalmente, ganhamos em amplitude no sentido vertical da imagem sendo mais indicado para quem pretende fazer uso ou de fotografia imersiva ou gigantografia. Quando posicionamos a câmera horizontalmente perdemos essas duas vantagens, porém o kit pode ser muito mais leve e compacto, o que definitivamente é uma vantagem para alguns.

 

Espero com esse texto ter conseguido tirar algumas dúvidas sobre este equipamento, muitas vezes subestimado mas de fundamental importância. Para maiores informações, me coloco a disposição através da minha página de contato no site www.joffreoliveira.com.br.

Um abraço e até a próxima.